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Archive for janeiro \22\UTC 2011

Trágico Lúdico.

   

 

 

    Qual seria a proporção, talvez imensurável, de uma multiplicidade de sentidos para adeuses adiados?

    Serão realmente precisos, necessários, preciosos?

    Adeus se marca? Combina? Acontece.

    Como adeuses de até um breve encontro.

    De súbito, já vindo de outras horas tocantes partidas do mesmo tempo, tantas flores vividas em momentos tardios se escorrem, deslizando como o breve, como o que poderia ser considerado quase efêmero.

    O que antes já foi símbolo de eterno afeto, hoje se desenrola como brincadeira, ressignificando o desmanchado como coisa de arame concreto.

    O que antes era simbólico, hoje é lançado ao real.

    E com um simples gesto posso enforcar-te. Enforcar-me. Brincar de. Posso amarrar-te. E com a mesma matéria posso sair para pescar. Uma vara. Posso cerrando um de meus olhos transformar meu mundo em lupa de lente imaginária. Posso acreditar que se trata de um detector de minas e ignorá-lo estourando de vez toda essa história. Posso pendurar meu espelho barato de bordas alaranjadas com este mesmo troço, antes um enfeite.

    E quando cansar posso amassá-lo gostoso inteiro e ressignificá-lo novamente, como simples resto de lixo.

    Simples?

    Posso recusar o que quer que se afaste do que sou agora.

    Posso recusar qualquer encontro que não relampeje meu autêntico sorriso.

    Não há gran finale para afeições construídas pelo infinito.

    E se tudo muda, e se muda assim, recrio o que se tornou feio em construção viva, quantas vezes for necessário.

 

 

 

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    Ao atravessar mudanças de fundo próprio, percebo o Outro com visão embaçada de verniz rasteiro. Cilada que me atinge em cheio, por mostra-me o mundo de possibilidades que corre incessante sem a presença de fôlego dissolvido, nos momentos em que se abre o coração, para quem se abre sem medo para a fartura da vida.

    Neon. Escolhi o colorido.

    Hábitos perdidos que pedem e serão, por que não, resgatados. Hábitos adquiridos que só mesmo de péssimo gosto ao ponto de serem necessárias lutas ferrenhas para jogá-los a um abismo sem fundo. Abismo do que já foi, passado. E se voltar, bem vindo não será.

    Não há espaço para tal.

    Apenas para o que há de belo. De possibilidades. Para o que há de surpreendente, fantástico, sem garantias, inquieto, este movimento harmônico criador de tão graciosa desarmonia.

    Sim. Vida trágica. Não há nada de belo nela.

    Vamos criar um pouco?

    Esse tédio de “caiu, se levanta” necessita de algo que transporte a alma e coração para qualquer lugar que não o do momento, para um sentimento maior do que qualquer vento. Algo que desconcerte o que já está e sempre esteve desconcertado. Apenas para nos lembrar de que somos desconcerto.

    Sem regras, sem rótulos, caminhos, ordens ou manuais. Sem matemática. Apenas vida. Possibilidades.

    Já se foi o chocolate. O pão com queijo e copo de leite branco.

    Posso criar meu dia inteiro ao longo do dia. Posso criar a minha vida.

    Decidida a criá-la de forma florida, corada, colorida, cromatizada. O tentar já é uma cor. A procura do jovial, elevado, generoso.

    Em tudo. Em cada um.

    Abrindo o peito contemplo meu desarmamento.

    A partir do instante em que retiro minha armadura, mesmo feita de confetes, o Universo ouve o chamado de pulsante vibração, do desejo de sonhos começados a partir do novo, do sofrer novamente. Por que é que pedem para se parar de chorar? Não entendem que trata-se apenas de outra forma de sorrir?

    E ninguém é nem do mais distante possível o que se imagina que se é.

    Tenho graves suspeitas de que definitivamente não nasci nessa época. Quando vim ao mundo colocaram-me dentro enfurnada em engenhosa máquina de formol poderoso, e de quando em quando foram me atirando de época em época, logo em seguida me pegando de volta. Decidiram então que eu parasse aqui. E por magia de embriaguez me embebedaram de poções esquecidas. Por isso me encontro aqui. Por isso essa saudade.

    Saudade de algo que me falta, âmago do desejo; por todo o sempre algo me faltará. O que agita e perturba, o que grita pela busca; do que quer que seja, não importa. Esse vazio profundo. Impossível preenchê-lo. Possível contorná-lo da maneira que preferir. 

    A dor é diferentemente a mesma. Sinto aqui saudade antiga, já conhecida, porém espantosa e aliviadamente, nova e inusitada, desconhecida.

 

 

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