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Archive for fevereiro \08\UTC 2011

Casa de Floresta

   

 

   Ela se virou e voltou para partida com seu jeito bruto de molejo. Jeito doce de mata verde. Decidida a viver a vida da melhor forma possível, a partir do que possui de melhor para dar e fazê-la bela e prazerosa de se inspirar, respirar.

    Gente da floresta é diferente. Simples. Simplicidade arisca atenta alerta em frente. Parece que quase não tem medo de nada. Anda de cabeça erguida sem obrigação de sorrir. Por detrás de bem desenhado rosto sério, há sorriso contido se extrapolando em pulos por dentro.

    Às vezes Cabocla.

    Às vezes Mogli.

    Cabocla que carrega consigo ferramentas avermelhadas feitas de borrachas em espirais, extremidades esmaltadas.

    Mogli de embaraçamento primitivo sem controle, movimentos prontos para desajeitada destruição.

    Povo da roça é assim. Traz queijo e o escambau.

    E vai chegando de mansinho, causando leve sutil apavoramento, brotando perigosa saudade, fazendo com que o coração desista de resistir e abra assim, de pouco a pouco, de diária luta vencida, um espaço em lugar vermelho por ser lugar de sentimento.

    Você sente azul?

    Posso até sentir verde, se quiser, amarelo, rosa shocking… Mas creio que o sentir, é vermelho.

    É fogo. Bagunça. Ponta de faca. Quente afago. Frieza que borbulha.

    Vermelho escrito em verde.

        |                                  |

   Sinto                  Após o sentido

 

   Cozinha para mim. 

   Cheira a ciclâmen aberta.    

    Pula em saltos magnéticos, mata baratas geneticamente modificadas, anabolizadas, mutantes, como se corresse atrás de gato arteiro. Parece até que se diverte. Parece que se diverte, até.

    Creio que tenha conhecimento criativo de seus poderes de sedução. Creio que saiba de repente sem saber, usá-los.

    Brotou em meu coração como flor silvestre.

    Céu de espírito selvagem. São estrelas de infinitos brilhantes, galáxias repletas de negros buracos torneados por luzes de esverdeado bronze.

    Não falo dos detalhes pois não quero que nem mesmo estas folhas soltas bobas patéticas saibam de tamanho tesouro que me foi emprestado.

    Pois tesouro desse não se ganha. Não se  apropria. Não é nem de direito. Puramente emprestado.

    Por isso, me empresta. Deixa eu sentir o gostinho, ver se aprendo algo, se me abro e conheço de longe mais um universo em bolha de ar. Um presente.

    Presente da Natureza vai e volta. Assim como os ipês, primaveras e cerejeiras, que deixam sua magia como presente divino, e vão-se embora, pois também é e será sempre Sua vontade.

    Chuva de confetes.

    Cometa que passa.

    Beija-flor que sorri como beijo sua graça.

    Brilho da bunda de vaga-lume esfregada na camisa a iluminar qualquer espanto.

    Pôr-do-sol.

    Céu rosado. 

    Botão ainda fechado se abrindo que já se abriu.

    Nada de novo a respeito do fato de que nada é para sempre, mesmo o sempre e o nada sendo pura possibilidade.

    E de quando em quando vou-me embora para a paciência e tolerância, calma e coragem, atitude e perseverança em SER IDIOTA. 

    Entretanto, para a dor não há data que exista, nem nome, muito menos um pingo de educação. Simplesmente não foram apresentados um ao outro ou realmente não combinam.

    Só de pensar na partida já sinto sua pontada.

    Não há porquê. Não há o que entender. Simplesmente é. E não há escapatória; necessário, de suprema urgência aceitar a vida como ela é, como singularmente se mostra.

    Assim. Como sopro de luz.

    Um sopro de luz.

    Um sopro de mato, de verde, de vida, de descobertas, conflitos, aprendizado, carinho gradualmente intensificado, um sopro de amor, encantamento, adoração; sonho, realidade e beleza.

    Me trouxe mil cores de pontos de vista. Me fez internalizar uma valorização da vida da forma mais otimista que reluz em fogos. Dar o melhor de si. Mudanças de humor… escolhas? Todo um processo, humano por demais. Por isso tão doído, calejado, demorado. Chorar e viver sem tempo que não há a perder.

    Te espero para comer a batata do Vicentino.

    Te espero para ir ao cinema. E ainda falta eu te aplicar um filme imprescindível. Ou vários. Mas você não gosta muito, não é, prefere a radiola… Prefere ficar lendo filosofia. Prefere ficar semeando esperança pelos corações do caminho.

    Te espero ver de novo. E não sentir ciúme.

    Não somos; nem homens nem mulheres, gênero ou sexo. Não, nada disso. Simplesmente pessoas. Espíritos envolvidos por frágil carne, aparência terrena, personagem vacilante.

    Gostar de pessoas.

    De incansavelmente ir em busca da desconhecida felicidade e não permitir que qualquer tipo de repressão criada por condutas e costumes de uma sociedade delirante oprima ou anule tudo o que vá à margem, tudo o que fuja à tão chamada normalidade, cultural, cômoda e preguiçosa.

    E asssim chuto culpas.

    Sem determinações, apenas infindáveis possibilidades. Bela provação este santo gosto apurado pela diferença. Então assumo minha diferença abençoada extremamente e normalmente humana.

    Tem arruda. Sim, um pé gigante. E também a árvore da felicidade. Alecrim, palha benta, pimenta de três cores, comigo-ninguém-pode e espada de São Jorge. Há como tal ambiente possuir energias escurecidas? Se houver, a própria natureza denuncia.

    Agradeço todo amor e cuidado; impossível viver sem paixão, troca e mistura. Deixo meu rastro de cores em eterna renovação.

 

 

 

 

 

 

  

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