Feeds:
Posts
Comentários

Archive for maio \14\UTC 2012

    

 

 

    Desligo o vento central e aposto na vitalidade do que vem do vento sul. Como se a abertura para os sons, ruídos e cantorias do dia me dessem um aconchego e a sensação de união com tudo o que existe.

No final, a simplicidade livre da vida sossegou o que até então era desassossego, e trouxe uma alegria natural à mesa. Não houve indícios de vitórias ou derrotas, apenas o medo em sua posição mais defensiva.

    Caberá a mim decidir se me arrisco ou não a uma nova partida, repleta de incógnitas, ausente de regras, nublada por limites desconhecidos.

    Não consigo alcançar nenhuma pista ou sinal que me dê qualquer sutileza da percepção de qual será o próximo movimento. O jogo concentra-se arisco na cintura, e é baseado por uma improvisação lúdica.

    Devo me poupar da obviedade que leva à margem, contorna as possibilidades de frustrações, ou devo me aventurar um passo à frente do incerto e extremamente vulnerável? Sigo ou fujo dos meus instintos.

    É lua cheia. Sob qual ponto de vista será melhor tomá-la?

    O tempo corre, o sol transita, e não sei ainda se mostro minhas cartas, se movo minhas peças, ou se embrulho embaraçada todo o desembaralhado de uma vez.

    As roletas viram-se sobre mim e pedem uma decisão. É minha vez, está na hora, e é agora.

 

 

    

Read Full Post »

 

 

 

   É como se aquela estrutura tridimensional de forte afeto estivesse a ponto, no ponto para desmoronar. Sua importância não possui geometria nem palavras que possam caracterizá-la.

   Possuo uma caneca. Ela é laranja médio, média e comprida, sem muito. Não gosto de ver o café esparramado em fundo de espaço vasto; sinto-o mais de perto e mais quente quando o fundo não se apresenta assim tão largo.

   Desfruto de um filme que assisti. As opiniões a seu respeito foram divergentes. Adorei e o achei inspirador; ela o achou um simples dejeto, pedaço de defecação.

   Creio que o desfecho esteja em esperar as ondas se acalmarem até atingir o ponto passado, tampá-lo por água salgada e levá-lo para o que acolhe.

   Ela é assim. Fica assim. Não se encolhe, mas o que mostra me atinge de forma espontânea como um atrito constrangedor. Ela não esconde, mas possui um jeito próprio e único de deslizar feridas sem precisar pronunciá-las.

   Qualquer que seja a tentativa, não valerá de nada. É uma espera incômoda de que a frieza passe.

   Quando passa, o quase volta à sua normalidade. Agradar é invasivo. Desculpar-se é vergonhoso. Esconder-se é inútil. Emendar assuntos é torturante. São esferas exclusivas as da sua alma. Como o contorno cor de roxo com o qual escrevo.

   Eu tenho a chuva que bate leve no telhado. O espaço escuro ao redor é somente luz fria e solitária. Mesmo se fosse confusa em sua temperatura não me faria sentir melhor.

   Deixarei a mala abarrotada para o divã.

   Me perco em meu desejo perpétuo de isolamento após arte mal feita. Talvez se houvesse em si qualquer tipo de intenção poderia causar mais danos do que a ausência entre uma vitória infeliz de impulso.

  

   Escrevo                     agora sobre      a                                                                                     

 

luz da lua                por                    querer                

 

                 ser                    mais                                     

   intensa

mas

 

                      tenho que correr

 

para o dano causado                              cansado

 

                 na eletricidade lá de fora.

 

  

   É noite. Assisto meu vizinho através de sua brasa acesa. Será que ele me assiste através da minha? Me comunico sozinha. Olho de lado sorrateira para que ele não me enxergue. Estará ele sentindo, pensando, ou apenas respirando? Ele dá meia volta e eu continuo me comunicando comigo. Ninguém bate à porta, nem convida para a janta. Fecho minha varanda e me recolho sem números e sem preparo para a frieza já esperada, não dita e premeditada.

 

 

                                                                 

Read Full Post »