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Posts Tagged ‘esconde’

 

 

 

   É como se aquela estrutura tridimensional de forte afeto estivesse a ponto, no ponto para desmoronar. Sua importância não possui geometria nem palavras que possam caracterizá-la.

   Possuo uma caneca. Ela é laranja médio, média e comprida, sem muito. Não gosto de ver o café esparramado em fundo de espaço vasto; sinto-o mais de perto e mais quente quando o fundo não se apresenta assim tão largo.

   Desfruto de um filme que assisti. As opiniões a seu respeito foram divergentes. Adorei e o achei inspirador; ela o achou um simples dejeto, pedaço de defecação.

   Creio que o desfecho esteja em esperar as ondas se acalmarem até atingir o ponto passado, tampá-lo por água salgada e levá-lo para o que acolhe.

   Ela é assim. Fica assim. Não se encolhe, mas o que mostra me atinge de forma espontânea como um atrito constrangedor. Ela não esconde, mas possui um jeito próprio e único de deslizar feridas sem precisar pronunciá-las.

   Qualquer que seja a tentativa, não valerá de nada. É uma espera incômoda de que a frieza passe.

   Quando passa, o quase volta à sua normalidade. Agradar é invasivo. Desculpar-se é vergonhoso. Esconder-se é inútil. Emendar assuntos é torturante. São esferas exclusivas as da sua alma. Como o contorno cor de roxo com o qual escrevo.

   Eu tenho a chuva que bate leve no telhado. O espaço escuro ao redor é somente luz fria e solitária. Mesmo se fosse confusa em sua temperatura não me faria sentir melhor.

   Deixarei a mala abarrotada para o divã.

   Me perco em meu desejo perpétuo de isolamento após arte mal feita. Talvez se houvesse em si qualquer tipo de intenção poderia causar mais danos do que a ausência entre uma vitória infeliz de impulso.

  

   Escrevo                     agora sobre      a                                                                                     

 

luz da lua                por                    querer                

 

                 ser                    mais                                     

   intensa

mas

 

                      tenho que correr

 

para o dano causado                              cansado

 

                 na eletricidade lá de fora.

 

  

   É noite. Assisto meu vizinho através de sua brasa acesa. Será que ele me assiste através da minha? Me comunico sozinha. Olho de lado sorrateira para que ele não me enxergue. Estará ele sentindo, pensando, ou apenas respirando? Ele dá meia volta e eu continuo me comunicando comigo. Ninguém bate à porta, nem convida para a janta. Fecho minha varanda e me recolho sem números e sem preparo para a frieza já esperada, não dita e premeditada.

 

 

                                                                 

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